Pacientes estocam antibiótico Benzetacil após fabricação ser suspensa



Os pacientes que dependem da penicilina benzatina, conhecida pelo nome comercial Benzetacil, no Espírito Santo, estão fazendo estoque em casa após a produção do antibiótico ser suspenso temporariamente pela fabricante no Brasil no início de julho. O medicamento é usado para várias doenças como a amigdalite, sífilis, impetigo e febre reumática.

Uma delas é a moradora de Vila Velha, a dona de casa Elizandra Rocha Xavier, que adquiriu uma grande quantidade do produto para o tratamento do filho Samuel, de 14 anos, que possui febre reumática, uma doença autoimune que provoca inflamações por todo o corpo.

Samuel adquiriu a doença aos 9 anos, após uma inflamação de garganta mal curada. A bactéria se espalhou pelo corpo, deixando sequelas que serão tratadas com o uso do Benzetacil mensalmente até completar 21 anos.

“Costumo aplicar o medicamento no meu filho na Unidade de Saúde da Glória. Como lá sempre está muito cheio, prefiro comprar e levar para evitar filas. Porém, em 2015 também faltou Benzetacil em todo o país, e na época passamos muito aperto. Dessa vez peguei a receita e adquiri ampolas para durarem por um ano”, disse.

Elizandra conta que procurou o antibiótico em quatro locais diferentes e que só conseguiu as unidades por ter contato direto com um representante comercial, que trabalha para uma rede de farmácias. “Tenho medo faltar novamente. Quero ter a tranquilidade em ver meu filho bem”, afirma.

De acordo com a reumatologista infantil que atende Samuel, Aline Coelho, a interrupção no tratamento da febre reumática é grave, pois dependendo das sequelas, o paciente terá que usar o antibiótico por toda a vida.

“O coração pode parar por conta das sequelas deixadas nas válvulas de bombeamento do sangue para o resto do corpo. Alguns pacientes utilizam o medicamento por um período, mas outros precisam para toda a vida”, explica.

Ainda segundo a reumatologista, outros pacientes estão em alerta para não interromperem seus tratamentos. A médica reforça que, por ser um medicamento injetável, para aplicá-lo é aconselhado procurar a ajuda de um profissional que domine a técnica em um posto de saúde.

GRÁVIDAS

O Benzetacil pode ser utilizado no tratamento de outras doenças, como a amigdalite, sífilis e impetigo, doença de pele causada pela mesma bactéria da febre reumática. No caso da sífilis, o infectologista Carlos Urbano destaca que a interrupção no tratamento pela falta do Benzetacil é preocupante.

“O Benzetacil é uma droga barata e essencial para o tratamento da sífilis. Isso é preocupante, porque estamos vendo uma explosão de casos no Brasil”, disse.

O infectologista Lauro Ferreira Pinto explica que o Benzetacil é a única medicação para utilizar em gestantes com sífilis, e, nesses casos, a substituição por outro remédio pode não ser eficaz.

“Nosso terror é a sífilis em gestantes. A substituição é ruim e complexa, pois a paciente terá que ser internada”, afirma o médico.

Produção do remédio deve voltar em outubro

A Eurofarma Laboratórios, fabricante do Benzetacil, interrompeu a produção do medicamento em julho. Em nota enviada para A GAZETA, a empresa afirmou que a suspensão é temporária para a implementação de melhorias, mas não disse quando retornará a produção. Para a Anvisa, entretanto, informou que será em outubro.

As melhorias do laboratório no remédio são relacionadas aos testes de validação das etapas do processo produtivo, para comprovar a “capacibilidade, robustez e assegurar que o processo é reprodutível e que o produto atende às especificações”.

A nota da Eurofarma disse que o laboratório pretende retomar rapidamente sua produção sem comprometer a execução de todas as etapas necessárias para a implementação das melhorias propostas. E que as unidades de Benzetacil que estão no mercado podem ser consumidas normalmente até a data de validade.

ANVISA

Em nota, a Anvisa informou que a empresa Eurofarma informou a descontinuidade temporária de fabricação do medicamento Benzetacil.

O texto disse ainda que não possui instrumento legal que impeça os laboratórios farmacêuticos de retirarem seus medicamentos do mercado. E que, segundo a informação da empresa, o cronograma para reativação da fabricação está previsto para outubro deste ano.

Fonte: Panorama Farmacêutico


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