Cimed deve lançar 50 genéricos até 2023



Com o fim da extensão de patentes, a Cimed, quarta maior indústria farmacêutica do Brasil, anunciou que pretende lançar cerca de 50 genéricos no mercado nacional nos próximos três anos e brigar pela liderança do segmento no País.

 

A informação foi dada pelo presidente da companhia, João Adibe, em entrevista ao Valor Econômico, nesta segunda-feira (31/05). O executivo adiantou que, pelo menos dez genéricos já estão em processo de registro e podem ser lançados ainda em 2021. Estes, segundo ele, são voltados para o sistema nervoso central, cardiovascular e controle do colesterol.

Em números, Adibe destacou o forte investimento de R$ 80 milhões que a Cimed aplica em pesquisa e inovação e pontuou que, deste valor, 40% correspondem aos medicamentos genéricos.

O faturamento da companhia mostra o impacto deste investimento. De acordo com o executivo, o segmento de genéricos representa 40% do faturamento da marca e a expectativa é que a divisão chegue ao seu primeiro bilhão ainda neste ano.

Além disso, Abide afirmou que a meta da Cimed é disputar a liderança no segmento de genéricos no Brasil. Hoje, a marca tem 65 moléculas no mercado e está em quinto lugar no ranking nacional. A primeira colocada é a EMS, que tem 358 produtos, segundo os dados informados por Adide.

“Em três anos, com os 50 genéricos que devemos lançar, podemos disputar o topo. Desde 2019, tiramos o pé, pois não temos capacidade instalada para atender às demandas do mercado brasileiro. Perdemos uns 30% nas vendas por falta de espaço nas linhas de produção”, disse o executivo.

Por isso, a Cimed está investindo em uma nova fábrica em Pouso Alegre (MG), que deve ser lançada em setembro e, de acordo com Adibe, será a segunda maior de medicamentos do País e deverá duplicar a linha de produção da companhia; passando de 500 milhões de caixas de medicamentos anuais para 1 bilhão.

Quebra de patentes no Brasil

Cabe destacar que, no começo deste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a extensão automática do prazo de vigência das patentes no Brasil.

Pela regra, o prazo máximo a ser obedecido na proteção de uma inovação é de 20 anos a partir do registro no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).Veja notícia completa aqui. Com a medida, a indústria de medicamentos genéricos tende a aumentar o número significativamente, já que, segundo o INPI, há, pelo menos, mais 3.435 medicamentos que estão com o prazo de extensão expirado em 2021.

 

Avanços da lei dos genérico e quebra de patente

A projeção da Cimed e o fim da extensão de patentes trazem um cenário otimista para o mercado e para os consumidores. É o que aponta o farmacêutico e professor da Pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni, que faz um contraponto com a importância da lei dos genéricos (nº9.787), criada em 1999.

Ele recorda que foi “um grande marco para a ampliação do acesso a medicamentos de qualidade, com eficácia e segurança comprovados e com um preço reduzido”. Quanto à quebra de patentes, associada com os genéricos, Poloni cita que a medida possibilitou acesso a mais opções de medicamentos e trouxe preços mais acessíveis ao consumidor:

“A expiração de patentes e a fabricação de medicamentos genéricos tende a ampliar o acesso aos medicamentos, pois aumentam a competitividade, reduzindo o preço dos mesmos”, detalhou.

 

Fonte: ICTQ


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