Cuidados no tratamento do Hipotireoidismo: foco no Idoso



Gustavo Alves discorre sobre a importância de não trocar a marca do Levotiroxina e alerta para as orientações do seu farmacêutico.

 

O hipotireoidismo é definido como um estado clínico resultante de quantidade insuficiente de hormônios circulantes da tireóide para suprir uma função orgânica normal. A forma mais prevalente é a doença tireoidiana primária, mas também pode ocorrer hipotireoidismo devido a doença hipotalâmica ou hipofisária (denominado hipotireoidismo central).

O hipotireoidismo não é uma doença exclusiva dos idosos, mas ao acometer pessoas com idade mais avançada, pode ter seus sintomas potencializados, daí a necessidade de acompanhamento médico e de orientação farmacêutica.

O hipotireoidismo primário tem como causa mais comum a deficiência de Iodo, sendo isso comum em área onde não há o aporte necessário deste mineral na dieta. Como reflexo, há um aumento da tireoidite autoimune crônica (tireoidite de Hashimoto). Algumas outras causas raras de hipotireoidismo incluem: tireoidite pós-parto, remoção da tireóide por meio de cirurgia, interferência no funcionamento da glândula decorrente do uso de iodo radioativo. Em adição, o cretinismo (hipotireoidismo no nascimento) é causa evitável de retardamento mental.

 

Hipotireoidismo em Idosos

Em idosos, a tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de Hipotireoidismo, e o tratamento enfrenta alguns obstáculos importantes como o diagnóstico tardio, além da adesão precária ao tratamento. Outra questão importante é o uso de forma incorreta da Levotiroxina. O sinal mais frequente do Hipotireoidismo em idosos é o aumento do TSH. Estudos mostram que 1 em cada 10 mulheres com mais de 65 anos tem TSH elevado; a grande maioria sem qualquer sintoma, mas que pode significar a falência da glândula Tireoide.

Os sintomas do hipotireoidismo em idosos podem se confundir com questões relacionadas ao envelhecimento, como a apatia e o cansaço, sendo justamente esta a razão dos diagnósticos tardios ou subnotificados. Outros sintomas do Hipotireoidismo em idosos incluem: Hipersudorese (excesso de suor), nervosismo, palpitações, tremores e perda de peso.

Os sintomas gerais são: voz rouca, fraqueza, lentidão, aumento de peso, pele seca, intolerância ao frio, surdez, câimbras, anemia, formigamento nos membros, etc.

Havendo estes sintomas, o idoso deve sempre procurar um médico, preferencialmente um geriatra.

 

Levotiroxina: aspectos farmacológicos relevantes e cuidados no Uso.

A Levotiroxina sódica é um preparo sintético de hormônio tireoidiano utilizado para tratar o Hipotireoidismo. Suas indicações mais importantes estão relacionadas com a Terapia de reposição hormonal em pacientes com Hipotireoidismo ou Cretinismo, e terapia de supressão de TSH em paciente com bócio atóxico ou após tratamento de neoplasias tireoidianas.

 

Cuidados na Administração de Levotiroxina

Deve ser administrada sempre pela manhã, com o estômago vazio, longe de qualquer outro medicamento, por pelo menos 30 minutos antes da alimentação. Caso seja necessário, de acordo com as condições clínicas do paciente (idosos ou crianças), os comprimidos de Levotiroxina podem ser triturados e mesmo misturados a 1-2 colheres de chá de água, sendo a suspensão administrada imediatamente.

Não é recomendado partir os comprimidos ao meio, como técnica de fracionamento, desta forma o ajuste de dose deve ser realizado de acordo com as apresentações disponibilizadas pelo laboratório.

Os comprimidos de Levotiroxina devem ser administrados sempre com um copo cheio de água para prevenir possíveis engasgos.

Quem faz uso de Omeprazol, Pantoprazol ou similares, deve sempre manter distância no horário da Levotiroxina e estes medicamentos. O tempo de intervalo nestes casos deve ser de no mínimo 1 hora, com a Levotiroxina sendo administrada sempre em 1º lugar.

O hipotireoidismo aumenta a incidência de algumas doenças cardiovasculares, mas seu uso em cardiopatas requer monitoramento das doses administradas, tendo em vista que o uso de Levotiroxina pode exacerbar cardiopatias pré-existentes, sendo esta uma questão muito importante em idosos. Inicia-se, portanto, com doses menores e com acompanhamento médico para monitorar o aumento gradual da medicação.

 

Importante:

No idoso, a integridade do sistema cardiovascular pode estar comprometida. Por isso, neste paciente a terapia com Levotiroxina deve ser iniciada com doses baixas, como por exemplo: 25- 50 mcg/dia.

 

 

RECOMENDAÇÕES:

  • Ingerir a dose em jejum.
  • Ingestão de outras medicações deverá ser feita com intervalo de, no mínimo, 2 horas (principalmente Cálcio, Ferro, Colestiramina, Hidróxido de Alumínio, Soja; Carbamazepina, Fenitoína e Rifampicina).
  • A manutenção do mesmo padrão de administração (horário, marca, intervalo para com a refeição ou para o uso de outras medicações) facilita o ajuste fino da dose. NÃO TROQUE A MARCA DE LEVOTIROXINA (se isto ocorrer, peça orientação ao Farmacêutico).
  • Pode ocorrer a flutuação do TSH em pacientes que não mantém o mesmo padrão de administração, por isso procure tomar sempre no mesmo horário todas as manhãs.

A Levotiroxina só deve ser utilizada sob orientação médica, e mesmo assim recomenda-se retorno ao médico para realizar exames de acompanhamento.

Na dúvida sobre a administração, uso e reações adversas mais comuns da Levotiroxina, procure sempre o Farmacêutico.

 


 

 

 

Gustavo Alves Andrade dos Santos

Farmacêutico, Doutor em Biotecnologia
Coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Twitter: @gustavofarmacia
Instagram: @gusfarma
Email: gusfarma@hotmail.com

 

 

 

Fonte: SincoFarma


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