Depressão em Idosos na Pandemia de Covid-19



Gustavo Alves fala nessa crônica sobre como a depressão em idosos aumentou, pois passaram a vivenciar um contexto diferente do acostumado.

 

Desde a data em que foi identificada, em 31 de dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China, a Covid-19 vem trazendo novidades no que diz respeito ao seu impacto em nossas vidas. E a população idosa não fica fora desse contexto epidemiológico, pois além de estar mais exposta pela questão da suscetibilidade ao Sars-Cov-2, os idosos tem sofrido bastante pelo isolamento a eles imposto.

Durante muitos meses os idosos ficaram sem poder sentir o calor de um abraço, um aperto de mão, um beijo, e isso em muitos casos pode ter tido um ônus, a depressão. Ainda que não exatamente como doença caracterizada pelos vários subtipos e manifestações, mas se caracterizando por sintomas depressivos, muitas vezes requerendo a necessidade de um tratamento médico.

Nem todos os idosos vivem em casas amplas, com jardins, áreas externas, etc.; boa parte vive reclusa em casas simples ou mesmo apartamentos, sem qualquer opção de entretenimento ou lazer, que dirá convívio social. Há uma parcela que reside em casas de repouso ou Instituições de longa permanência, ainda assim longe da família. Segundo o IBGE (Instituto brasileiro de geografia e estatística), cerca de 30% dos idosos brasileiros vivem sós.

Alguns sintomas comuns da depressão em idosos:

  • Humor deprimido boa parte do dia;
  • Perda de interesse por coisas que sempre gostou de fazer;
  • Alterações no apetite e no peso;
  • Insônia ou aumento excessivo do sono;
  • Agitação psicomotora.
  • Perda de energia, fadiga, cansaço;
  • Sentimento de culpa excessivo!
  • Alterações na capacidade de raciocínio;
  • Pensamento de morte, idealização fim da vida.

Os antidepressivos são o tratamento mais comumente utilizado, ainda que muitas vezes a terapia não farmacológica seja a mais indicada. A escolha do antidepressivo no idoso é um critério do médico, mas é sempre importante lembrar que as reações adversas podem ser um pouco ou muito inconvenientes aos idosos.

Perda de peso, alterações gastrintestinais, secura na boca, alterações visuais, redução da saliva são eventos comuns para alguns antidepressivos, podendo torná-los inapropriados para idosos, portanto, muita atenção. Em muitos casos o benefício vai superar o risco, cabendo ao médico e ao farmacêutico atuar no monitoramento do uso destes medicamentos.

Importante:

  • Ninguém pode usar antidepressivos sem recomendação médica;
  • Não se deve ingerir bebidas alcoólicas quando se faz tratamento com antidepressivos (não há quantidade mínima, não beba!);
  • Cuidado se precisa dirigir e operar máquinas e faz uso de antidepressivo.
  • Os efeitos dos antidepressivos podem demorar no mínimo 15 dias, após o início do tratamento;
  • Siga a orientação correta do horário de tomada: alguns devem ser ingeridos cedo, outros à noite.
  • Não dobre a dose se esquecer de tomar!
  • Não associe antidepressivos “naturais” com aquele que o médico prescreveu. O natural pode fazer mal!

 

 

Gustavo Alves Andrade dos Santos

Farmacêutico, Doutor em Biotecnologia
Coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

Twitter: @gustavofarmacia
Instagram: @gusfarma
Email: gusfarma@hotmail.com

 

Fonte: SincoFarma


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