Farmacêuticos garantem ampliação de 25% no acesso ao tratamento de diabetes em plena pandemia



A pandemia de Covid-19 impôs o distanciamento social e também um desafio para as equipes de saúde: em meio a uma emergência de saúde pública, garantir o atendimento às vítimas, mas, também, manter a assistência aos demais pacientes, especialmente aqueles com doenças crônicas como o diabetes. E em Porto Alegre (RS), a Secretaria Municipal de Saúde tem, nos farmacêuticos das farmácias distritais e da atenção primária, os grandes aliados nessa missão. É o que mostra mais um informe da campanha do Conselho Federal de Farmácia pelo Dia Internacional do Farmacêutico, 25 de setembro. A iniciativa do conselho visa valorizar o trabalho farmacêutico e convida a população a agradecer a esses profissionais, que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

A reestruturação da Assistência Farmacêutica, com implantação dos consultórios farmacêuticos, e a informatização do Programa Municipal de Distribuição dos Insumos para Diabetes (PMDID) pela prefeitura no mês de setembro do ano passado, possibilitou a ampliação em 25% no acesso ao tratamento. O atendimento prestado pelos farmacêuticos também está melhorando a qualidade de vida dos pacientes e reduzindo mortes, além de ampliar as vagas para consultas médicas e gerar economia de recursos para os cofres públicos. O serviço tem excelente aprovação. O absenteísmo nas consultas farmacêuticas é 50% menor do que o registrado nas consultas especializadas na rede municipal. Em pleno isolamento social, os farmacêuticos asseguraram atendimento a mais de 1,4 mil pacientes.
O PMDID visa à distribuição de insumos para pessoas com diabetes mellitus em uso de insulina e com diabetes mellitus pré-gestacional e gestacional. Da lista de insumos fazem parte, aparelhos para leitura e medição de glicemia no sangue, seringas para aplicação de insulina, tiras reagentes e lancetas. Além disso, no último quadrimestre, passaram a ser disponibilizadas, também, canetas aplicadoras de insulina para pessoas com diabetes menores de 15 anos e maiores de 60.

Em Porto Alegre, os pedidos de adesão ao programa são encaminhados eletronicamente, o que proporciona maior comodidade ao paciente e um melhor controle da demanda pelos gestores municipais. Com a informatização e os farmacêuticos na gestão do cuidado à saúde das pessoas com diabetes, foram atendidas 6.064 solicitações. “São 2.132 a mais do que seria possível com os recursos disponibilizados, da ordem de R$3,5 milhões ao ano. Isso porque conseguimos racionalizar os gastos, mediante a avaliação clínica criteriosa e um cálculo mais preciso das quantidades de insumos necessários para cada paciente”, explica Leonel Almeida, coordenador da Assistência Farmacêutica Municipal.

Outro ganho importante com a atuação dos farmacêuticos foi a redução de demanda por consultas médicas na Atenção Primária à Saúde. Os farmacêuticos realizaram 1.421 atendimentos para orientação ao paciente, em especial quanto ao uso da caneta aplicadora de insulina. Destes, 693 fizeram a substituição de frasco-ampolas por canetas aplicadoras sem a necessidade de deslocamento até as unidades básicas de saúde para obtenção de nova prescrição. “Com seu trabalho, os farmacêuticos viabilizaram inclusive que pessoas cegas ou com dificuldade de mobilidade que preenchiam os critérios do Ministério da Saúde pudessem fazer uso desse insumo.”

Durante a consulta farmacêutica, os profissionais avaliam a farmacoterapia dos pacientes e orientam quanto à doença e ao tratamento; entregam os insumos e esclarecem todas as dúvidas sobre a forma correta de utilização do glicosímetro e da aplicação da insulina, seja por seringa ou caneta, bem como sobre o seu correto armazenamento e descarte. As estatísticas mostram que o atendimento é absolutamente necessário. “Seis em cada dez pacientes congelam a insulina e metade não sabe o que fazer com o aparelho de glicemia. Ou seja, não compreendem o risco de uma glicemia abaixo de 70 mg/dl, por exemplo. Além disso, um terço tem glicemia acima de 300 mg/dl, e 10% dessas pessoas precisam do acompanhamento do farmacêutico para ter maior autonomia no uso de insulina, e retomar o seu atendimento na unidade básica de saúde”, comenta o coordenador.

O impacto do cuidado farmacêutico sobre a saúde dos pacientes atendidos ainda necessita de maior avaliação. Porém, conforme os dados estatísticos do projeto piloto, implantado na Gerência Distrital Glória/Cruzeiro/Cristal (GCC), uma região de aproximadamente 200 mil habitantes, o número de óbitos entre dos pacientes atendidos foi menor do que aquele registrado entre os demais: 4 contra 18 mortes. “Pelos excelentes resultados, a experiência de Porto Alegre é considerada modelo para farmacêuticos e para gestores de saúde que atuam no SUS. Quanto maior for o número de municípios adotando as mesmas iniciativas, maior será a ampliação do acesso aos insumos e a melhoria da qualidade do atendimento às pessoas com diabetes”, avalia Walter da Silva Jorge João, presidente do CFF.

O conselho, por meio das resoluções que dispõem sobre as atribuições clínicas do farmacêutico e a prescrição farmacêutica, tem procurado envolver o farmacêutico no cuidado direto ao paciente. E no ano de 2018, realizou a maior pesquisa sobre risco de diabetes no Brasil, o Rastreamento de Casos Suspeitos de Diabetes Mellitus: Novembro Diabetes Azul 2018. Apoiado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o estudo teve a participação de farmacêuticos de mais de 400 farmácias espalhadas pelo Brasil, e demonstrou um em cada 5 brasileiros sem diagnóstico prévio pode ter diabetes mellitus, ou seja, uma prevalência de 18,4% de glicemia elevada na população pesquisada. Foram avaliadas 17.580 pessoas de todas as regiões do país.

 

Fonte: CFF


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