Farmácias devem aderir ao pagamento por WhatsApp



Lançado na última segunda-feira, dia 15, o recurso de pagamento via WhatsApp desponta como um canal de vendas promissor para o varejo farmacêutico, especialmente para farmácias independentes e associativistas. A tendência é apontada por gestores e consultores especializados no setor. Nas grandes redes de farmácias, o processo de implantação será mais lento, pois devem aguardar a regulação da modalidade pelas autoridades monetárias.

Com mais de 120 milhões de usuários, a rede social tem escala para dominar os meios de pagamento do mercado. Hoje o WhatsApp é também o principal canal de comunicação das farmácias independentes e de manipulação. Por meio do aplicativo, a loja vende, tira as dúvidas do cliente e envia promoções e ofertas de novos serviços.

“A opção de pagamento pelo aplicativo agiliza as operações da farmácia, principalmente no delivery. Hoje, o motoqueiro tem que entregar o produto levando o troco ou a maquininha do cartão e depois retornar à farmácia. Esse tipo de operação reduz em 50% o custo e deixa a operação mais rentável”, afirma Fernando Ferreira, especialista em gestão comercial de empresas do varejo.

Canal de comunicação com o cliente

Andre Gonçalves, sócio da FarmaDani, estabelecimento da Serra Gaúcha que integra a bandeira Farmácias Associadas (com mais de 800 lojas) aposta na plataforma como canal de fidelização do consumidor. “Temos mais de cinco mil habitantes em nosso raio de cobertura e recebemos em torno de dez a 15 chamados por dia via WhatsApp. É um grande facilitador para ampliarmos nosso alcance e agilizar vendas”, admite.

A opinião é compartilhada por Julio Ricardo Benitez, gestor da Coperfarma, que hoje reúne em torno de 60 farmácias no Paraná e em Santa Catarina. “Já iniciamos, inclusive, alguns testes de utilização da plataforma. Mas as taxas de 3,99% por processamento de vendas ainda são muito significativas e podem ser uma barreira para varejistas que já convivem com margens mais tímidas”, pondera.

A Cityfarma destaca que o uso do WhatsApp na interação com o cliente vem crescendo nos últimos três anos e hoje até supera o telefone como meio de comunicação. “A pandemia acelerou esse processo. Mas é fundamental que as farmácias adaptem muito bem sua dinâmica de atendimento nesse canal, pois o consumidor esperará um retorno imediato e o vendedor terá de conciliar sua rotina a esse interesse”, comenta Marise Nascimento, presidente da rede, com mais de 100 unidades no Rio de Janeiro.

Como funcionará o serviço

Para usuários de contas pessoais, o WhatsApp mantém o limite de R$ 1 mil por transação. Por dia, podem ser realizadas até 20 transações, mas os valores de transferência não podem ultrapassar R$ 5 mil por mês. A plataforma também não cobra tarifas pelas transferências entre contas pessoais, nem para pagamentos de compras realizadas em empresas no WhatsApp Business. Já para as empresas cadastradas no WhatsApp Business, não há limite nos valores de transações.

O Brasil é o primeiro país a receber a novidade. No momento, são autorizados a comprar pelo sistema apenas os correntistas do Banco do Brasil, Nubank e Sicredi, por cartões de débito das bandeiras Visa e Mastercard, em parceria com a Cielo.

Bloqueio de contas

Em outubro do ano passado, mais de 500 farmácias tiveram suas contas de WhatsApp Business bloqueados pelo Facebook, sem qualquer justificativa. O fato levou a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), que representa as farmácias de manipulação, a entrar com uma ação judicial. Em novembro, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinou que fosse realizado o desbloqueio das contas, sob a alegação de que a interrupção do serviço de comunicação eletrônica é capaz de causar prejuízos às farmácias, “pois se tornou essencial para a comunicação com clientes e fornecedores”.

 

Fonte: Panorama Farmacêutico


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