Ferramentas de saúde digital esbarram em custo e paciente



A ilustração acima já poderia ser uma rotina nas farmácias brasileiras, mas o advento de ferramentas de saúde digital ainda parece distante do dia a dia do setor.

 

Foto: Panorama Farmacêutico

 

A última enquete do Panorama Farmacêutico apontou o paciente e os custos como principais entraves para mudar essa realidade.

Dos 2.268 assinantes que manifestaram sua opinião no portal, 39% (874) indicaram os hábitos do paciente como maior barreira para implementação dessas tecnologias. Outros 32% (728) citaram o custo como maior obstáculo.

Para Leonardo Giusti, sócio-líder da KPMG para a área de saúde, os pacientes ainda não são “navegados” de forma adequada. “Esse termo indica que segmentos como o varejo farmacêutico não conseguiram estabelecer uma conexão plena com esse público, sem a devida integração tecnológica com healthtechs e outros atores da saúde. No entanto, a disseminação do modelo de assistência clínica, que resgata a antiga figura do farmacêutico da família, tende a mudar esse panorama”, acredita.

 

Potencial da saúde digital em números

Alguns números da internet confirmam um potencial inexplorado das ferramentas de saúde digital. Segundo mapeamento da CB Insights, 7% das pesquisas no Google Search são relacionadas à saúde, o que significa 70 mil consultas por minuto. Deste total, mais de 25 mil estão associadas a doenças crônicas. De olho nesse nicho, o Google investiu em mais de 50 empresas de saúde no ano passado e elas respondem por um terço do seu portfólio de investimentos.

O Brasil não foge à regra. De acordo com o Inside Healthtech Report, levantamento da plataforma Distrito, mais de US$ 90,1 milhões foram destinados a healthtechs no Brasil em 2021, valor 85% acima do de 2020.

 

Regulamentação e namoro com o retrocesso

Se sobram oportunidades, falta visão de futuro. Esse constraste ficou escancarado após a Câmara dos Deputados vetar a prática da telemedicina em farmácias, que estava na redação original do Projeto de Lei 1998/20. Não à toa, a regulamentação como barreira para a saúde digital recebeu 21% dos votos na enquete (478 menções).

Entidades como a Abrafarma defendiam a telemedicina na farmácia como estratégia para ampliar a assistência à saúde especialmente em comunidades mais desassistidas. Mas do outro lado estavam os conselhos de farmácia, que se uniram à classe médica e preferiram manter uma lei de 1973 para reger a atividade dos farmacêuticos.

“A telemedicina em farmácia poderia elevar o aumento do consumo desnecessário de medicamentos. E também criaria um conflito ético. O paciente que se submetesse a uma teleconsulta no ambiente farmacêutico não se sentiria constrangido se preferisse comprar o medicamento prescrito em outra loja?”, argumenta Marcos Machado, presidente do CRF-SP.

“Conveniência e acesso viraram sinônimos de risco. O que defendemos é que esse avanço teria que superar uma vedação de 50 anos prevista em lei que não tem mais razão de ser. O mundo inteiro evoluiu nesse sentido, menos os interesses das classes corporativistas no Brasil”, critica Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.

 

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Fonte: Panorama Farmacêutico

Publicado em 9 de maio de 2022


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