Governo libera autotestes da Covid-19 em farmácias



O Ministério da Saúde enviou uma solicitação formal à Anvisa para autorizar esse serviço, com recomendação para venda nas farmácias e drogarias.

 

A nota técnica do governo ressaltou a orientação para que qualquer paciente possa adquirir o autoteste, independentemente da existência de sintomas, do estado vacinal e da idade. Caso o resultado seja positivo, a indicação será acionar o profissional de saúde.

Este profissional, por sua vez, deverá indicar o isolamento imediato do infectado e a avaliação das pessoas que residem com ele, para que também sejam testadas. Os resultados precisarão ser notificados em até 24 horas, mediante registro e transmissão de informação na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

A partir da movimentação do Ministério, especialistas acreditam que a Anvisa tende a regulamentar os autotestes com celeridade. Para isso, a agência exigirá a vinculação a políticas públicas claramente definidas, com suporte clínico da rede pública e, conforme o caso, rastreamento de contatos para quebrar a cadeia de transmissão da doença.

Setor aprova

Entidades vinculadas ao setor farmacêutico destacaram a importância do posicionamento do governo. “Atende à necessidade do país e oferece mais uma opção para a gestão da doença na pandemia. Toda iniciativa que coloque o usuário no centro, ou seja, que dê ao cidadão comum condições de tomar decisões para evitar o contágio ou se proteger melhor, é muito bem-vinda. Pessoas comuns e conscientes de seu papel podem ajudar a si mesmas e à comunidade”, ressalta Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.

Os únicos autotestes que têm autorização no país são os de glicemia, gravidez e HIV. Neste momento, os autotestes da Covid-19 ajudariam a desafogar os centros de testagem e laboratórios que, com o aumento da procura, se tornam locais de potencial aglomeração”, enfatiza Carlos Eduardo Gouvêa, presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial.

Como funciona e onde já é realidade?

Nos países onde o uso é permitido, os autotestes são distribuídos pela rede pública e estão à venda em farmácias e lojas do varejo. O teste pode ser realizado em casa, bastando a coleta de amostra de swab nasal. Todos os materiais necessários para aplicação, como cotonetes, dispositivos e reagentes, são fornecidos na embalagem. O resultado aparece em 15 minutos.

Projeções da Organização Mundial da Saúde estimam que o número de autotestes deve superar 1 bilhão nos Estados Unidos. Além de estar em território norte-americano, o serviço é oferecido em mercados da Europa, Ásia e também América Latina. O Panbio Covid-19 Ag Self-Test, produzido pela Abbott, já chegou ao Chile e está em fase de lançamento no Peru e Paraguai.

No Brasil, espera-se também que fabricantes especializadas, como Eco DiagnósticaHilab e Medlevensohn, ajudem a assegurar a produção em massa. A mineira Eco Diagnóstica, que utiliza matéria-prima e tecnologia importada da Coreia do Sul, já desenvolveu inclusive um mockup do autoteste (foto acima).

Para Sérgio Mena Barreto, é fundamental que o teste seja comercializado com registro e no canal de vendas correto, mediante explicação e suporte profissional aos pacientes. Ainda segundo ele, o preço também tende a ser mais acessível. Hoje, o teste rápido de farmácia tem valor em torno de R$ 70.

 

 

Fonte: Panorama Farmacêutico

Publicado em 14 de janeiro de 2022


Compartilhe


Comentários