OMS e Ministério da Saúde lançam campanhas de doação de sangue



Iniciativas marcam o Dia Mundial do Doador de Sangue, 14/06. CFF conclama os farmacêuticos a serem doadores e estimularem seus pacientes à doação.

 

A luz de alerta dos 107 hemocentros no país está acesa. Segundo o Ministério da Saúde, mesmo não havendo desabastecimento, a crise sanitária decorrente do Sars-Cov-2 ocasionou a queda de 15 a 20% nos estoques de sangue em 2020, devido à diminuição no número de pessoas circulando em razão da Covid-19. Para que a situação não se agrave, o Ministério da Saúde lança às 10 horas de segunda-feira, 14/06, em live na internet, uma campanha de estímulo à doação, a exemplo do que também está fazendo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A organização apela à população de todo o planeta que “Doe Sangue para que o mundo continue pulsando”. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) apoia as iniciativas, e conclama os farmacêuticos a serem doadores e estimularem seus pacientes à doação.

Por considerar essa ação solidária um ato de cidadania, a farmacêutica paranaense Ana Paula Vilar, é doadora de sangue. “Toda vez que me chamam compareço. Em 1995 doei para a mãe de uma amiga e não parei mais. Poder ajudar a outras pessoas que muitas vezes eu nem sei quem, é maravilhoso! Acredito que é uma forma de expressão do amor pelo outro. Embora meu sangue não seja raro ( AB+), fico imaginando a condição daquele paciente que necessita de doação regularmente, me coloco na posição destas pessoas. Poderia ser eu, um dos meus filhos ou ente querido”, comenta. Ela lembra a dificuldade dos hemocentros em face de algumas condições que impedem a doação como, por exemplo, peso, hepatite e aids. “Então quem pode doar tem que participar”, afirma.

“O gesto solidário é seguro e pode salvar muitas vidas! É uma manifestação de amor ao próximo que leva à reflexão sobre uma condição especial a que todos nós, um dia, podemos ser submetidos”,

comenta o conselheiro federal de Farmácia do Paraná. “ A mobilização deve ser constante. Também é necessário cobrar o poder público, a obrigação de fornecer serviços de qualidade e campanhas de caráter educativo direcionadas ao público”, diz o conselheiro. Ele lembra que os farmacêuticos estão respaldados a atuar na hemoterapia por meio das resoluções nº 673/2019 e nº 617/ 2015, que regulamentam as atribuições dos farmacêuticos nessa área.

O ministério informa que, em 2019, foram realizadas 3.271.824 coletas de sangue no país. No ano passado, o número caiu para 2.958.665, um recuo significativo. Mesmo com a redução, não houve desabastecimento nos estoques de nenhum hemocentro no Brasil. A pasta acompanha diariamente o quantitativo de bolsas de sangue em estoque nos maiores hemocentros estaduais, o que permite a antecipação na tomada de decisão, visando minimizar o impacto de eventuais desabastecimentos de sangue.

Desde o início da pandemia, o Plano Nacional de Contingência do Sangue, possibilitou o remanejamento de bolsas de sangue para estados com maior dificuldade. Esse processo conta com todo apoio operacional e logístico do governo federal. Nesses casos, o hemocentro que fornece as bolsas de sangue não necessariamente é o mais próximo, mas sim aquele que no momento tem maior quantidade de bolsas de sangue em estoque e que possa disponibilizar sem maiores riscos para suprir a demanda de sua população.

Os hemocentros brasileiros também têm adotado todas as medidas de higiene necessárias para a contenção da disseminação do vírus e estão preparados para receber os doadores com segurança. Disponibilizam as condições necessárias para a lavagem de mãos ou antissépticos, realizam as coletas evitando a aglomeração de pessoas, por meio de agendamentos prévios e redobraram os cuidados com a higienização das áreas, instrumentos e superfícies, tornando-se ainda mais seguros aos doadores, em razão das medidas de prevenção à covid-19.

O Ministério da Saúde e as hemorredes estaduais vêm incentivando, desde o início da pandemia, que a população continue doando sangue, uma vez que seu consumo é diário e contínuo, pois as anemias crônicas, cirurgias de urgência, acidentes que causam hemorragias, complicações da dengue, febre amarela, transplantes, tratamento de câncer e outras doenças graves, continuarão ocorrendo. Ressalta-se que não há um substituto para o sangue e sua disponibilidade é essencial em diversas situações para manutenção da vida.

Campanha da OMS

A data 14 de junho foi instituída pela Organização Mundial da Saúde em 2014, com o propósito tanto de disseminar a conscientização sobre a importância da doação quanto de estimular a doação de sangue para salvar vidas. A alusão ao Dia Mundial do Doador de Sangue também é uma homenagem a Karl Landsteiner, um imunologista austríaco responsável pela descoberta do fator Rh e distinções entre os vários tipos sanguíneos.

Junho Vermelho

Iniciada em 2015 no Brasil, a campanha Junho Vermelho busca reforçar a doação de sangue durante os meses mais frios do ano, quando os registros de estoque de sangue estão mais baixos nos hemocentros. Durante o mês, como forma de apoio a campanha, alguns órgãos e instituições recebem a iluminação da cor vermelha em suas fachadas.

Fonte: CFF


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