Quedas e Idosos: um problema a ser resolvido



Olhar farmacêutico pelo especialista, coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

 

O exercício mais praticado pelo ser humano é a caminhada. Andamos por toda a nossa vida, às vezes mais, às vezes menos, e ainda assim caímos. As quedas podem acontecer por diversos motivos e as alterações da marcha são comuns em nossa trajetória.

Para os idosos as quedas representam riscos e sérias consequências que podem culminar em internações hospitalares podendo levar a morte. De 30 a 60% dos idosos caem ao menos uma vez por ano e metade dos idosos apresenta quedas múltiplas. Nos idosos as consequências das quedas incluem o comprometimento físico, escoriações, luxações e até fraturas. Também causam redução da mobilidade afetando a autonomia e independência. A fraqueza muscular e a fragilidade óssea facilitam as quedas em pessoas idosas.

Para que possamos reduzir o risco de quedas em idosos alguns pontos devem ser observados, pois propiciam o risco, tornando o idoso mais susceptível a “cair”.


Fatores relacionados ao domicílio e/ou áreas de circulação

Iluminação inadequada: o domicílio do idoso deve ter boa iluminação, sem pontos-cego, facilitando a circulação e caminhada de dentro de casa. Deve-se evitar pisos escorregadios e a colocação de tapetes soltos, que em muitas vezes acabam se tornando verdadeiras “rampas de lançamento”. Muito cuidado com degraus altos ou muito curtos, pois dificultam a exata proporção de cada passo e o idoso pode tropeçar e cair.

Evitar móveis baixos e cuidado com os fios espalhados pelo chão ao longo da residência.

O uso de corrimão não deve ser desprezado, pois serve de ponto de apoio para o idoso. O mesmo podemos falar quanto a necessidade do suporte ao lado do vaso sanitário e no box do banheiro. Aliás, o banheiro é o local onde os idosos mais caem.

Muito cuidado com sandálias ou sapatos que possam facilitar a queda, provocando escorregões ou se enrolando ao longo dos dedos dos pés.


Outras razões

Além dos fatores acima, existem razões intrínsecas que podem facilitar as quedas e que precisam ser evitadas:
Idosos com história prévia de quedas devem merecer atenção especial. Além disso, quanto mais idoso, maior a chance de queda. Estatisticamente as mulheres sofrem mais quedas do que os homens.

A deficiência nutricional pode levar as quedas, sendo assim o acompanhamento nutricional do idoso é essencial.

O declínio cognitivo facilita as quedas, portanto idosos com demências como Alzheimer, Lewy e Parkinson são mais sujeitos a sofrerem quedas.

A redução da acuidade visual facilita as quedas, assim o idoso tem dificuldade para calcular a dimensão da marcha e muitas vezes não enxerga os obstáculos.

Mas sem dúvida alguma, quero chamar a atenção para alguns medicamentos que podem provocar quedas. São situações onde os efeitos adversos de algum medicamento incluem as quedas. Dentre estes medicamentos destaco os calmantes (benzodiazepínicos), antidepressivos, antipsicóticos, opioides (medicamentos para dor a base de Morfina), hipoglicemiantes orais (medicamentos para diabetes que podem provocar hipoglicemia), Anti-hipertensivos (principalmente os diuréticos, pois reduzem a pressão e provocam alteração do equilíbrio). Os medicamentos que atuam no Sistema Nervoso Central com ação depressora normalmente vão aumentar o risco de quedas em idosos.

O monitoramento do uso destes medicamentos na população idosa é fundamental para a prevenção das quedas e a atuação do farmacêutico clínico torna-se um fator diferencial colaborando com o trabalho do médico para proporcionar qualidade de vida ao paciente.


 

Gustavo Alves Andrade dos Santos
Farmacêutico, Doutor em Biotecnologia
Coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Twitter: @gustavofarmacia
Instagram: @gusfarma
Email: gusfarma@hotmail.com

 

 

 

 

Fonte: Comunicação Sincofarma/SP


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