Secretário de Doria reconhece que restrições ao comércio foram erro



Jean Gorinchteyn, secretário de saúde do governo tucano, admitiu que estratégia de restrições de circulação e horários foi um erro.

 

Imagine a seguinte situação: o síndico de um prédio decide instalar um novo sistema elétrico em todo o condomínio, o que inclui todos os apartamentos. Apesar de recente, os novos componentes foram testados em outros edifícios e se mostraram frágeis e ineficientes. Mesmo assim, como várias administradoras estão ignorando os riscos e adotando o sistema em várias partes do mundo – ainda que em condomínios totalmente diferentes – o síndico desconsidera os problemas e crê que não vai acontecer com ele o que aconteceu com todos os outros.

Quando os moradores são informados da decisão, advertem o síndico de que aquilo irá prejudicar o edifício como um todo, pois têm conhecimento de experiências desastrosas acontecidas em outros empreendimentos ao redor do mundo. Como o síndico não abre mão de sua decisão, os moradores se reúnem e recorrem à administradora, mas a empresa foi eleita pelos próprios moradores e o síndico foi nomeado segundo as normas vigentes, logo, todos são obrigados a obedecer as novas ordens. E não só isso, pois caberá a todos os moradores o pagamento das despesas, sendo que, a maioria já enfrentava dificuldades para arcar com o condomínio de um edifício cujo histórico sempre foi cobrar muito e oferecer pouco.

A instalação é feita, mas logo os problemas começam a surgir. Além das falhas nos elevadores e dos constantes blecautes, fumaça e um forte cheiro de queimado passam a sufocar e assustar os moradores. Diante das constantes reclamações, o síndico se dispõe a fazer diversas reuniões, sempre minimizando a situação e afirmando categoricamente que tomou a melhor decisão. Ele deixa claro que, apesar da fumaça, o cheiro de queimado logo vai passar, mas se alguém se incomodar demais é só usar uma máscara. Para distrair os condôminos e fazê-los acostumarem-se à siuação, o síndico espalha cartazes por todo empreendimento com os dizeres: #vaipassar e #usemáscara.

Sempre que encontra um morador no elevador, o síndico – que já pegou o jeito de driblar as reclamações – afirma que ninguém corre riscos e que os benefícios futuros ultrapassarão qualquer mal-estar temporário. Ele até adota uma frase que acaba consolando alguns moradores, embora enfureça outros: “se der algum problema, a gente vê depois.”

Mas eis que o inevitável acontece e um grande incêndio arrasa grande parte das unidades e, por pouco, não destrói o prédio todo. Diante disso, o síndico é chamado para prestar esclarecimentos, mas, como se trata de alguém muito bom de lábia, é claro que ele tem um discurso na ponta da língua. Com um semblante sereno e voz pausada, ele reconhece que foi um erro, mas que agora os proprietários podem fazer o que quiserem com o que restou de seus imóveis, afinal, eles ainda são os donos e terão de fazer todas as melhorias necessárias para seguirem em frente e, claro, continuarem pagando o condomínio em dia. Para terminar, ele declara com muita “humildade”:

“A gente tá aprendendo!”

Essa foi a declaração dada pelo secretário de saúde do governo João Doria, Jean Gorinchteyn, ao reconhecer que “com certeza” as restrições que foram feitas, da forma que foram feitas “tanto a horários, quanto à ocupação” dos estabelecimentos comerciais foram realmente ruins.

Depois de defender o Plano São Paulo que, por pouco, não arrasou com a economia do estado todo, Gorinchteyn finalmente reconheceu em entrevista à Jovem Pan, nesta segunda-feira, que, ao restringir os horários de funcionamento e impor controle de circulação, a estratégia causou o efeito contrário, aglomerando ainda mais as pessoas. Até então eles só haviam notado que para reduzir aglomerações é necessário ampliar os horários durante as eleições. Para todo o resto o conceito utilizado foi diametralmente oposto.

E como se tivesse descoberto algo surreal, o secretário afirmou: “No ano passado, na fase laranja, se fechava academias, cabeleireiros, barbearias, e se viu que esses são lugares absolutamente seguros, que as pessoas realmente cumprem os protocolos de segurança. Então, cada vez mais, nós estamos nos adaptando.”

Pois é, secretário, enquanto vocês “se adaptam” testando estratégias que qualquer pessoa de inteligência mediana já sabia que seriam um erro, todos nós pagamos a conta. É incrível como certos políticos desenvolvem muito rapidamente a habilidade de amenizar erros crassos, que prejudicam milhões de pessoas, com palavras brandas ditas com cara de quem tem a melhor das intenções.

Nem a economia quebrada tem sido suficiente para que esse governo autoritário e mesquinho pare de se esconder atrás de slogans marketeiros e tenha a dignidade de se desculpar com a população – com todas as letras – por todos os erros que cometeram e de oferecer um plano real de retomada da economia. A população cansou de tantos desmandos e não parece mais disposta a continuar baixando a cabeça para esse tipo de arbitrariedade. E o recado de uma parcela crescente da população já antecipa que certos políticos não vencerão futuramente eleição alguma. Nem mesmo para síndico de prédio.

 

Fonte: Agora Notícias Brasil


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