Surge um Medicamento para Alzheimer: o Aducanumab



Gustavo Alves lembra a notícia anunciada e esperada para muitas famílias. A doença de Alzheimer é o tipo mais comum de Demência, com aproximadamente 44 milhões de casos no mundo atualmente.

 

O número que deve chegar a 100 milhões em 2050.

 

No Brasil são 55 mil novos casos por ano e cerca de 2 milhões de pessoas com esta doença, sendo a esmagadora maioria formada por idosos. É bom lembrar que a demência de Alzheimer não é exclusivamente uma doença de idosos, embora a maioria dos casos ocorra entre 60 e 90 anos de idade.

Trata-se de uma doença neurodegenerativa que destrói os neurônios de forma insidiosa e progressiva, afetando cognição e comportamento das pessoas.

Embora reconhecida e identificada em 1906 pelo neuropsiquiatra alemão Alois Alzheimer, somente em meados dos anos 1990 chegaram os primeiros medicamentos para tratamento desta demência. Os resultados foram promissores, melhoraram a qualidade de vida dos doentes com Alzheimer, retardaram o progresso da doença, mas tudo isso muito longe da cura.

Os medicamentos atualmente disponíveis são: Galantamina, Donepezil, Rivastigmina e a Memantina; e o uso de cada um deles será definido pelo médico de acordo com o estágio da doença e os protocolos clínicos seguidos.

Todos estes medicamentos estão disponíveis no Brasil, todos possuem uma forma genérica na sua apresentação, facilitando o acesso para aqueles que possuem algum tipo de limitação econômica!

 

Uma nova esperança, surgiu o Aducanumab.

Esta semana tivemos a notícia de que o Aducanumab, um tipo de anticorpo monoclonal desenvolvido pelos laboratórios Biogen e Eisai, foi aprovado pela agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, o FDA, para o tratamento de Alzheimer. Ainda não está disponível no Brasil, isso deve demorar um pouco, mas importante frisar que o Aduhelm® (nome comercial) não cura e mesmo assim seus resultados preliminares ainda são muito questionáveis.

Você deve estar se perguntando porque foi aprovado então? Trata-se de um mecanismo de fast track, aprovação mais rápida, carecendo de mais comprovações, e neste caso, após lançado começa a fase IV de Pesquisa clínica, onde estas confirmações serão buscadas.

 

RESULTADOS

 

Os resultados iniciais do Aducanumab mostram efeitos interessantes no estágio inicial da doença, quando ocorre o declínio cognitivo leve, porém clinicamente estes efeitos ainda vêm recebendo várias contestações. Em fases mais avançadas os efeitos são praticamente imperceptíveis, já que as placas senis já estão formadas, comprometendo as atividades neuronais.

Em suma, o Aducanumab é um grande passo em direção ao tratamento eficaz da doença de Alzheimer, mas longe de ser a cura.

Tivemos nos últimos anos uma outra droga, também muito aguardada, mas que não respondeu a toda a expectativa. Falo do Solanezumab, outro monoclonal, que caso tudo tivesse dado certo teria sido lançado em dezembro de 2016. Infelizmente isso não aconteceu, por isso é preciso ter muita precaução para o Aducanumab.

Vamos aguardar mais novidades!

 

 


 

Gustavo Alves Andrade dos Santos

Farmacêutico, Doutor em Biotecnologia
Coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Twitter: @gustavofarmacia
Instagram: @gusfarma
Email: gusfarma@hotmail.com

 

 

Fonte: Comunicação Sincofarma


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