Uma Vacina contra o Alzheimer: esperança ou realidade?



Gustavo Alves fala nessa crônica sobre pacientes com estágio inicial da doença de Alzheimer que receberão quatro doses do imunizante, resultados são esperados para 2023.

 

Nos últimos tempos nunca se ouviu falar tanto de vacinas e a principal responsável tem sido a pandemia por Covid-19.

Embora muitos não saibam, Vacinas são medicamentos, possuem propriedades curativas por meio da capacidade de organização e ativação de nosso sistema imune.

Normalmente as vacinas são empregadas contra patógenos e doenças infecciosas: vírus, bactérias…

Mas e a Vacina contra a doença de Alzheimer? O Alzheimer não é transmitido por micro-organismos, mas é considerado uma epidemia, sendo responsável por mais de 1.200.000 casos atualmente no Brasil e 5.800.000 nos Estados Unidos. As previsões para os próximos anos apontam para um cenário preocupante!

O Alzheimer está entre as doenças que mais atraem a atenção das autoridades sanitárias e laboratórios de pesquisa de todo o mundo.

Atualmente é possível tratar a doença de Alzheimer, prover melhor qualidade de vida aos doentes e amenizar um pouco o sofrimento de familiares e cuidadores, mas ainda não há cura!

Desenvolver um medicamento capaz de curar o Alzheimer é uma meta buscada pelos cientistas há alguns anos, e desde 1996 as companhias farmacêuticas vêm se empenhando bastante na busca de soluções para esta finalidade.

Esta semana foi divulgada uma pesquisa com uma Vacina que pode resolver este problema, curar a demência de Alzheimer.

O medicamento em questão ataca as formas anormais de uma das proteínas que estão ligadas ao processo fisiopatológico do Alzheimer, a beta amiloide.

Mas é muito precoce acreditar que possa trazer a cura, já que a pesquisa ainda está em fase 1b, ou seja muito cedo, há um longo caminho a ser percorrido.

Particularmente vejo com algumas reservas estratégias que visem tratar Alzheimer exclusivamente pelo mecanismo da beta amiloide, já que nos últimos anos houve uma desaceleração das pesquisas envolvendo este peptídeo.

Por outro lado, a proteína TAU, envolvida na formação dos emaranhados neurofibrilares, tem merecido maior atenção dos cientistas, tendo inclusive alguns modelos de vacinas em teste.

Acredito mais nas pesquisas envolvendo TAU e beta amiloide ou somente TAU.

É momento de aguardar, há muito trabalho pela frente!

Na dúvida sobre medicamentos, procure sempre um farmacêutico.

 


 

Gustavo Alves Andrade dos Santos

Membro do ISTAART – The Alzheimer´s Association International Society to Advance Alzheimer´s Research and Treatment
Member of ASHP – American Society of Health-System Pharmacists

Farmacêutico, Doutor em Biotecnologia
Coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.

Twitter: @gustavofarmacia
Instagram: @gusfarma
Email: gusfarma@hotmail.com

 

Fonte: Sincofarma

Publicado em 20 de novembro de 2021


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