Vida Sexual dos Idosos – crônica de Gustavo Alves



O medicamento para disfunção erétil mais vendido não é para o público mais velho e sim para os mais jovens. Especialista no atendimento farmacêutico em idosos fala um pouco sobre o assunto.

 

Um dos temas que mais geram discussão a respeito do envelhecimento e da qualidade de vida dos idosos, é sem dúvida alguma a sexualidade. Em suma, falar sobre vida sexual de pessoas idosas ainda é considerado um tabu.

O aumento da expectativa de vida aliado a recursos terapêuticos inexistentes até pouco tempo atrás transformou esta situação.

Especificamente a terapêutica, trouxe grande contribuição com o surgimento do primeiro medicamento para disfunção erétil, o Viagra®.

O fenômeno Sildenafil, princípio ativo do Viagra®, seguido de outros medicamentos com o mesmo mecanismo de ação, trouxe profundas mudanças na sociedade no que diz respeito ao comportamento e sexualidade.

Pode parecer estranho, mas grande parte das pessoas que usam medicamentos para disfunção erétil, são jovens, e não necessariamente idosos, como se era de esperar. Esse é um fato diretamente ligado ao comportamento.

Mas é importante lembrar que os benefícios dos medicamentos para disfunção erétil, obviamente, restringem-se aos homens. Para as mulheres, os benefícios são inconclusivos. Por algum tempo acreditou-se que o mesmo Sildenafil pudesse trazer algum tipo de benefício, mas isso do ponto de vista farmacológico é impossível, já que tratamos de ação em fosfodiesterase V, corpos cavernosos do pênis, etc.

 

QUAIS MEDICAMENTOS ORIENTAR

 

Nos últimos anos surgiram medicamentos capazes de trazer benefícios para as mulheres que sofrem de algum tipo de transtorno sexual. Trata-se do Vyleesi® (Bremelanotide), aprovado em 2019 nos Estados Unidos.

 

Outro exemplo foi o Addyi,® (Fibanserin) lançado em 2015 nos EUA. Embora não tenham sido projetados especificamente para idosas, ainda assim há situações em que podem ser úteis, como em mulheres com “Transtorno do desejo sexual hipoativo” (HSDD).

Em tempo, não existe “Viagra feminino”! E os mecanismos de ação dos medicamentos usados para disfunção erétil em homens nada tem a ver com as “necessidades” femininas.

Voltando ao Viagra®, algumas considerações quanto ao seu uso em idosos:

  • Uso restrito ou evitar em idosos cardiopatas;
  • Idosos com doenças hepáticas;
  • Idosos que façam uso de medicamentos a base de nitratos: pode ocorrer interação medicamentosa grave.

 

Enfim, são inquestionáveis as contribuições que os medicamentos têm trazido e podem trazer para melhorar a vida sexual de idosos, mas é preciso analisar com muito critério cada uma das opções e avaliar qual delas se apresenta mais segura.

 


 

Gustavo Alves Andrade dos Santos

Farmacêutico, Doutor em Biotecnologia
Coordenador do grupo de Cuidado farmacêutico ao Idoso do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Twitter: @gustavofarmacia
Instagram: @gusfarma
Email: gusfarma@hotmail.com

 

Fonte: Comunicação Sincofarma


Compartilhe


Comentários